Alberto Talero García
Engenheiro aeronáutico formado pela Universidade de Sevilha, com dupla graduação pela École Centrale de Lyon (ECL), onde atualmente também leciono sobre mercados financeiros.
Matemática, física… números em geral sempre foram meu ponto forte desde jovem, então era óbvio que um curso de engenharia seria a melhor escolha para mim. Dentro da engenharia, eu tinha um interesse particular por aviões. Como algo tão pesado consegue voar? Então, aeronáutica era a opção mais óbvia. No entanto, no meu primeiro ano de universidade, comecei a “investir” minhas pequenas economias no mercado de ações (e coloco entre aspas porque eu não tinha a menor ideia do que estava fazendo na época). Isso despertou uma curiosidade e um desejo de aprender que se tornaram minha paixão. Hoje, tenho a sorte de poder dizer que trabalho fazendo o que amo: resolvendo quebra-cabeças extremamente complexos todos os dias.
Se eu pudesse voltar atrás, sabendo desde o início que queria trabalhar no mercado financeiro, ainda escolheria Engenharia Aeronáutica. Sempre digo que meus anos na ETSI foram extraordinários e, ao mesmo tempo, difíceis. A principal lição que aprendi foi a de encarar os problemas sem medo. A ser capaz de confrontar situações complexas e buscar a melhor solução com humildade e motivação para aprender. Algo que, sem dúvida, tem sido um diferencial para mim ao longo da minha carreira. Por fim, a ECL me ensinou a "fazer acontecer" (a necessidade de construir uma rede de contatos, buscar mentoria, orientação, etc.) para conseguir dar o salto para a City de Londres.
Comecei em 2016 na City de Londres, trabalhando como analista quantitativo na BNP Paribas Asset Management. Meu papel era mais voltado para a engenharia, onde eu escrevia código em C++ para precificar produtos estruturados usando modelos matemáticos. Depois de alguns anos, migrei para a gestão de fundos na equipe de taxas de juros. Essa equipe estuda tendências macroeconômicas a partir de uma perspectiva fundamental para investir o dinheiro dos clientes em dívida soberana. Em 2020, fui promovido a chefe de EGB (Títulos do Governo Europeu) em Paris. Finalmente, em 2025, decidi retornar a Londres para trabalhar na JP Morgan Asset Management em uma equipe mais global. Investimos em dívida do G10, essencialmente em todo o mundo desenvolvido. É um trabalho de aprendizado constante. Cada situação — geopolítica, política, macroeconômica ou de qualquer outra natureza — impacta os investimentos. É preciso integrar muita informação em pouco tempo e discernir seu impacto para tomar as decisões de investimento mais adequadas. E, com muito estudo e um pouco de sorte, conseguir gerar lucro para os clientes. Como eu disse antes, trata-se de resolver constantemente um quebra-cabeça que nunca para de se mover. Um trabalho onde a pressão é claramente muito alta, mas o aprendizado e o crescimento são exponenciais.